19 de mai de 2011



Na ilha, por vezes habitada do que somos, há noites,

manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente 
e entra em nós uma grande serenidade
e dizem-se as palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: 


o contorno, a vontade e os limites.

Podemos então dizer que somos livres

com a paz e o sorriso de quem se reconhece 
e viajou à roda do mundo infatigável, 

porque mordeu a alma até aos ossos dela.

Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres...
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós 
É por enquanto a vida.
Isso nos baste.


(José Saramago)

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